Críticas à Maçonaria

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Muito já se disse e já se escreveu sobre a Maçonaria. Durante séculos essa associação de cidadãos livres vêm alimentando a curiosidade e a imaginação das pessoas. Qual de nós quando criança não ouviu falar do "voto de silêncio" que punia com a morte qualquer um que ousasse revelar os segredos da maçonaria. Das histórias que contavam que o candidato a maçom deveria cavalgar um Bode preto e renegar a imagem de cristo. Do complô maçônico para dominar o Mundo e da revelação de toda a verdade contida no Universo.

Infelizmente, ou não, todas essas estórias são frutos de imprecisões, má fé e falta de discernimento histórico.

Vamos aos fatos....

Irmandades e seitas secretas existem a milhares de anos. Geralmente, grupos de homens que se reunem em sigilo para divagações, estudos científicos ou simplesmente cultuar a vida através de orgias. Para sòmente citar alguns: Pitagóricos, Herméticos, Mitraistas, Culto a Dionísio, Ísis revelada, etc. Todas essas irmandades tinham em comum uma gama de regras de iniciação e vários graus de conhecimento.

Na Idade Média os grandes construtores de catedrais e castelos sentiram a necessidade de proteger seus segredos de ofício. Criaram assim um intricado número de palavras e frases em código, sinais de reconhecimento e apertos de mão secretos. Através de um jogo de perguntas e respostas distinguiam imediatamente um "irmão" de ofício de um impostor que estivesse tentando descobrir seus segredos. Os primeiros maçons, denominados" pedreiros-livres" começaram a se reunir em pequenas construções erguidas nos parques de obra que logo passaram a ser chamadas "lojas". No século 17, com o aumento de prestígio desses pedreiros, algumas lojas começarm a aceitar não-pedreiros em sua "irmandade" mediante um pagamento maior das "jóias", uma espécie de taxa de inscrição. Naquela época a Maçonaria buscava atrair membros da alta sociedade, principalmente do clero e da nobreza. Esses novos adeptos eram atraídos pelos mistérios e a sabedoria oculta que supostamente os pedreiros-livres guardavam. Convém lembrar que não estamos falando de simples pedreiros rebocadores de muros e assentadores de piso, estamos tratando dos construtores de catedrais, basílicas e castelos que até hoje deixam muitos arquitetos modernos roxos de inveja. A partir daí vários "feitos" começaram a ser anexados ao currículo dos maçons. Uma verdadeira "vitamina" de cultos e crenças começaram a ser incorporadas a tão promissora instituição em uma tentativa de dar-lhe uma identidade, digamos, mais reveladora do que uma "simples" reunião de pedreiros. Vinculações com os construtores do templo de Salomão e das pirâmides do Egito buscavam dar um cárater milenar a nova "seita". Além disso os maçons começaram a professar uma descendência templária.( Os cavaleiros templários eram uma instituição bélica/religiosa,criada em 1118, para combater os mouros nas cruzadas. Essa corporação durante os anos de Cruzadas tornou-se uma poderosa e rica instituição apesar dos votos de pobreza, castidade e obediência de seus membros. Foi destruída pelo Rei Felipe IV e o papa Clemente V sob a acusação de sodomia, satanismo entre outras. Na verdade Felipe queria abocanhar todas as propriedades dos templários. ) Ainda hoje podemos notar na Maçonaria a forte influência dessa tentativa de se autodenominar uma continuação dos templários. Várias lojas recebem o nome de "Cavaleiros Templários" e alguns dos 33 graus da maçonaria levam nomes bastantes sugestivos como: Mestre em Israel, Sublime cavaleiro eleito, Cavaleiro do oriente ou da espada, patriarca dos cruzados ou Grão mestre da luz, Noaquita ou cavaleiro prussiano, etc..

Em 1723 um ministro da Igreja escocesa, James Anderson, redigiu o "Livro de Constituições Maçônico" dando a maçonaria grande parte do cárater que tem hoje.( Por isso as normas vigentes até hoje são chamadas de Rito Escocês Antigo e Aceito ) No século 18 a maçonaria teve o seu grande apogeu abocanhando para suas fileiras nomes de peso do iluminismo, das artes e das ciências. A maçonaria se transformou em uma associação de livres-pensadores tendo um grande papel na divulgação dos novos ideais de Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Às vésperas da revolução Francesa haviam mais de 100 mil maçons na França. Para a época era um contigente expressivo de seguidores fiéis de uma doutrina. Além do mais toda a "cúpula" que desencadeou a Revolução e independência dos Estados Unidos da América era de maçons. Sabemos que nesse período os Maçons franceses e americanos "trocaram figurinhas" e idéias desencadeando as duas mais importantes revoluções do século, quem sabe, da história. Esses ideais "libertários" e "igualitários" contaminaram também um certo príncipe regente aqui dos trópicos. Dom Pedro I era maçom e foi "responsável" pela "independência" do Brasil. Essas coincidências reforçam o cárater de "conspiradores" atribuidos aos maçons, mas não podemos esquecer que foi o Iluminismo reinante na época que "corrompeu" a maçonaria, não o contrário. Tanto é verdade que após essa experiência a maçonaria não apresentou novamente tamanha capacidade de "ditar" as regras do jogo. Da segunda metade do século 19 até nossos dias a maçonaria vêm se perdendo em vinculações espúrias e místicas, que nada acrescentam a sua história. São fusões rosacruzianas, cabalísticas entre outras.

A Maçonaria não interveio em nenhum acontecimento importante do século 20, a não ser em pápeis coadjuvantes. Ela nada teve a ver com a revolução russa como supõem alguns alucinados historiadores. A única relevância que a maçonaria teve neste século foi negativa. Ela foi embrionária do facismo em algumas lojas italianas. Membros "dignos" da sociedade usaram o cárater secreto e fiel dos livres-pensadores para divulgar seus sentimentos facistas, do mesmo modo como iluministas o fizeram séculos antes em prol da "fraternidade". Na década de sessenta a Igreja absolveu a Maçonaria. Alguns escritores mais criativos tentaram reativar a mística maçônica imputando-lhe, juntamente com os judeus, um complô para dominar o Mundo. Apesar de grande parte da economia estar na mão de Judeus e Maçons sabemos que esse complô está sendo orquestrado por outra facção. A maçonaria hoje, apesar de toda espécie de vinculação e lenda , nada mais é do que uma associação de homens-livres que se reunem regularmente para fins diversos. A Maçonaria é um Rotary-Club com uma grande bagagem histórica e com grande tradição polêmica. Seu discurso atual de fraternidade e filantropia esconde sua impotência para orquestrar qualquer manipulação política. A última tentativa de tentar mostrar uma força de manipulação foi em 1981, novamente na Itália, quando uma loja denominada P-2 provocou uma crise governamental. Os membros dessa loja, políticos influentes, militares e homens de negócios conspiravam em vários setores, desde falcatruas financeiras até golpe de estado.

Não vamos ser ingênuos em descartar uma futura nova maquinação dessa instituição, principalmente na Europa. Mas em relação ao Brasil podemos afirmar que esses homems que saem de suas casas semanalmente para uma reunião na loja estão anos-luz de conspiradores maquiavélicos. Até mesmo o "Status" de ser maçom, que muito honra os dignatários desses grupos cívicos, está perdendo o brilho. Hoje em dia os proeminentes da sociedade preferem se adornar em "Lions" e "Rotarys" do que ter de se envolver com tão "fraternal e igualitária" instituição. Outra lenda que caiu por terra nesses tempos de globalização e crise mundial é a idéia de ajuda mútua entre "irmãos". Tenho presenciado diáriamente dezenas de Ex-maçons abandonados à própria sorte sem ajuda ou encaminhamento. Na verdade, no Brasil, as pessoas sempre buscaram a maçonaria, atrás mais dessa ajuda mútua eterna do que necessáriamente de uma revelação mística universal. A Fraternidade pregada pela maçonaria nada mais é do que um corporativismo, que não está sobrevivendo à crise financeira. Conheço dezenas de "irmãos" que após uma falência ou uma demissão inesperada estão buscando agora ajuda em outras "seitas". Também o critério de filiação nos últimos anos não tem ajudado a manter imaculado o nome da maçonaria. A tão aclamada sindicância para ingressar na corporação tem mostrado falhas enormes, iniciando perfeitos estelionatários, semi-analfabetos e pessoas de péssimo cárater. Essas pessoas têm utilizado de suas prerrogativas maçônicas para enganar os próprios "irmãos". Em algumas "lojas", que me reservo o direito de não citar nomes, os membros têem se utilizado da ausência semanal "endossada" pela maçonaria para promoverem verdadeiras orgias etílicas, enquanto suas esposas ficam em casa imaginando que seus filantrópicos maridos estão reunidos em debates produtivos. Isso não é uma regra, mas mostra a que ponto os "segredos" da maçonaria estão levando seus membros. A maçonaria é aquele "clubinho da árvore" que menina não entra. São adultos brincando com seus aventais e espadas. Escoteiros da sociedade moderna com seus apertos secretos e suas cócoras de pedido de ajuda. Brincadeiras e frases enigmáticas provando que o homem necessita de grêmios e associações para se auto afirmar enquanto indivíduo. Francamente...

vê se cresce cambada de marmanjos.

 

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